De Roosevelt a Trump
Cláudio Pimentel
O fascismo não tem lado, nem cor ou justificativa para existir, mas existe. E está aí, prontinho em folha nas orações e despautérios do atual presidente da maior democracia do mundo, os Estados Unidos. Não é o primeiro - incrível, não é? -, mas talvez seja o último, o que é mais incrível! O eleitor norte-americano, a cada 15 ou 20 anos, adora pôr um fascista na Casa Branca. Todos fanfarrões. Hoje a maior ameaça a Donald Trump é sua própria língua. Se mordê-la, estimo que será difícil um antídoto, mas deixemos para o tempo cuidar da efeméride.
Um dos mais controversos foi Theodore Roosevelt, o 26º presidente (1901 - 1909). Sua maior façanha foi sair como herói da Guerra Hispano Americana, no Caribe, sem sequer dar um tiro ou singrar as águas no entorno de Cuba e Porto Rico, que lutavam pela independência. Ele apenas cuidava de um regimento de cavalaria voluntária, mas graças aos jornais do magnata da imprensa norte-americana, William Randolph Hearst, ganhou notoriedade. Até um navio afundou, segundo Hearst, que comandou sua campanha à presidência. Eleito, foi o criador do “Big Stick” – o grande porrete - símbolo do estilo de diplomacia usado por ele, que permaneceu.
Capaz de fazer Mussolini morrer de inveja, em sua catacumba, Richard Nixon, antes de se tornar o 37º presidente dos EUA, conseguiu ser tão atuante no período do macartismo, entre os anos 1940 e 1950, quanto o senador Joseph McCarthy, que liderou uma campanha de intensa perseguição política no país, acusando indivíduos e grupos de esquerda de serem comunistas ou simpatizantes, sem provas. Promovia audiências e investigações que visavam expor e punir supostos espiões, causando medo, desemprego e desconfiança no país. As maiores vítimas foram produtores, diretores, roteiristas e atores de Hollywood. Eleito em 1968, sua administração ficou marcada pelo “Escândalo Watergate”, contra o qual utilizou técnicas do macartismo para desqualificar as investigações e a imprensa. Renunciou.
Ronald Reagan, 40º presidente dos EUA (1981-1989) foi ator medíocre nos anos 1950, mas um entusiasmado defensor do macartismo. Não é lembrado pelos filmes que atuou, mas pelo alinhamento às perseguições, dedurando colegas de trabalho à sanha dos inquisidores. É um fascista moderado. Como presidente introduziu medidas neoliberais no país – hoje afligem o mundo - e ampliou a ação norte-americana no combate ao comunismo. Ditadores latino-americanos foram os mais beneficiados. Apoiou Saddam Hussein na guerra contra o Irã e se envolveu no escândalo "Irã-Contras", quando autoridades do governo facilitaram a venda secreta de armas para o Irã, sendo o dinheiro arrecadado, desviado para grupos paramilitares que combatiam os sandinistas na Nicarágua.
George Bush Jr., o 43º presidente dos EUA (2001 – 2009), virou o mundo de cabeça para baixo depois do ataque terrorista, em 11 de setembro de 2001, contra o World Trade Center. Todos nós, aliás, ainda pagamos pela tragédia. O mundo se tornou um lugar perigoso, pois todos passaram a ser suspeitos de serem os próximos terroristas. Aviões deixaram de ser um prazer, para se tornarem um exercício de paciência e submissão ao aparato de segurança, onde tudo é proibido e as revistas quase invasivas. Seu governo, talvez, seja o pior da história, sentimento que se amplia quando recordamos o crash dos bancos americanos, em 2008, resultado da política neoliberal do seu governo, que não fiscalizava a economia. Continuamos quebrados.
Trump é o 45º e o 47º presidente dos EUA, o que denota algo errado. Ele foi o único da história a não se reeleger. Foram quatro anos de confusões, erros em profusões e contusões sociais, culturais, econômicas e políticas. O eleitor se assustou, mas ele voltou. E convencido de que deve ser pior. Trump erra mais que os ex-presidentes citados. Exibe cacoetes doentios, sádicos e ególatras. Gosta de confusão, entrechoque e mal entendidos. Sua arma é ferir. A psicopatia o guia. A lógica o afasta. E a mentira o define. Vai dar errado. Implicar com o Brasil por motivos políticos elevou a certeza de sua queda. O mundo arregalou os olhos.
Cláudio Pimentel é jornalista
Tribuna da Bahia – 11.07.2025
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